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        <title>aethereal</title>
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            <title>Minh&#39;alma é doce</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Tue, 20 May 2008 16:06:45 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;h3 class=&quot;post-title entry-title&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://aethere.blogspot.com/2008/05/minhalma-doce.html&quot;&gt;Minh&amp;#39;alma é doce&lt;/a&gt;
&lt;/h3&gt;


&lt;p&gt;Ontem quando me deitei para dormir, quis sonhar. Cheguei a pedir ao
nada, porque nada poderia me responder ou sequer atender. Fechei os
olhos, pisquei-os mais umas três vezes, até eles finalmente travarem no
vazio da escuridão. Um palmo não pude ver frente aos meus olhos. Mesmo
que a minha fobia ao escuro desse-me nauseas e desassosego, quis
experimentar essa falta de matéria que ele me dá.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Escuro, tão
profundo, tão vazio e tão cheio. Meu quarto é abarrotado de coisas,
papéis, diários, fichários, lápis e pincéis... Não me atreveria a dar
passos fora da cama, saberia que poderia pisar em algum grampo caído no
chão. E doeria. Minha cama tão quente, tão aconchegante, tão
emocionantes cochilos outrora tive aqui!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um murmúrio do vento
passou pelas frestas da janela de madeira, fantasmagórico como costuma
ser. E o vazio do escuro o engoliu, abafando-o entre os casacos
próximos à cortina como um quasar. Um zumbido ou outro também foi
engolido. E eu agradeci aos céus noturnos por isso, meu medo de insetos
é exagerado, enlouquecido e desavergonhado. O bater de pequenas asinhas
logo se esvaiu por algum canto do cômodo e eu me acalmei mais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltei
ao meu desejo, ao meu mais entorpecido de sonhar. Revirei-me outra vez
na cama e mil vozes surgiram por de trás dos meus tímpanos. Lembrei-me
da voz da minha professora, dos meus amigos, parentes, do mais
longínquo dia infantil em que ganhei uma boneca de pano. Todas aquelas
vozes, frases prontas que surgiam espontâneas, atropeladas e
impacientes. Mil voes e estalidos como estrelas e fogos de artíficio
atormentavam minha mente cansada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pesei o travesseiro sobre a
cabeça, demarcando-me contra o colchão. Meus olhos apertados, agarrados
órbitas e pestanas, sinestesiando as estrelinhas sonoras. Mil fagulhas
me surgiam no escuro dos meus olhos fechados. Quais festas, maravilhas,
reveillons, de noite ou de dia fariam tanto estardalhaço no sono? Só eu
e minha apnéia... Só eu e minhas fantasias... Elas me chamaram para
voar junto delas. Pude ouvir. Pude mesmo e juro, que das minhas
entranhas surgiram notas estranhas ao do-ré-mi.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Canônica ode,
fantasmagórico réquiem... Fantasia minha trouxe-me pelos dedos até esse
jardim de pólens reluzentes. Umas pequenas criaturas esvoaçantes,
brilhantes, estrelinhas aladas e multicoloridas contornavam-me
sorridentes e amedrotadas. Monstro extraterrestre eu fui, sem antenas e
pele clorofilada. Ela me disse: &amp;quot;Venha e voe comigo, esta noite&amp;quot;* e por
que não aceitá-la? Deu-me asas tão lívidas e cintilantes, frágeis como
papel, leves como plumas. Fez-me serafim de rascunhos infantis, fez-me
felicidade de querubins.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por uma noite, quatro ou cinco horas
mal dormidas, dez ou vinte minutos aéreos me bastaram para ousar pisar
no chão gélido e percorrer até a cozinha, coar o café.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;* My Brightest Diamond - Dragonfly&lt;/p&gt;     &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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            <title>Quinta-feira, 10 de abril de 2008</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Sat, 12 Apr 2008 02:52:56 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;Hoje quando eu estava voltando da faculdade, estava morrendo de cólica.
Foi uma dor tão forte que chegou a ser alucinógena. Sim, eu estava
caminhando com passos curtos e não muito distantes do chão, para não
contrair mais o meu útero e doer. A Avenida Paulista está em obras
desde que cheguei aqui em São Paulo... Tenho que desviar e prolongar
meu caminho com mais alguns pequenos metros. Nesses espaços apertados,
sempre vejo pessoas indo e vindo sem parar, todas distraídas ou
perdidas em seus próprios afazeres. Raramente alguém presta atenção no
que você diz ou faz, mesmo que você berre, mesmo que diga algo horrível.&lt;br /&gt;
Hoje, como queria desviar minha mente para fingir que os 20 minutos de
caminhada iriam ser mais rápidos, comecei a divagar. Bem, na verdade,
só consegui fazer isso lá pelo final da caminhada, após rir comigo
mesma de um anunciante de Lan House com um papel de &amp;#39;Free Hugs&amp;#39; na mão.
Foi descendo as alamedas, já perto do pensionato, que uma música surgiu
nos meus ouvidos, sem nem eu estar portando fones ou um mp3 player.&lt;br /&gt;
Eu olhava para pessoas, com sinestesia, com apuração das cores. Elas
estavam mais vívidas, o stress se tornou graça e toda aquela gente
subindo e descendo fazia parte de um musical. O homem da pasta com cara
irritada tinha pressa, porque o chefe era neurótico e ele, paranóico e
perfeccionista. A mulher gordinha e baixinha era escandalosa e
piadista. O negro de roupas largas era um líder do gueto. Todo mundo
ganhou um compasso, todo mundo ganhou uma música e um rítmo, um papel
na peça, uma peça no quebra-cabeças.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;    Eu costumo perder meu tempo humanizando pedras e perder humanos recolhendo pedras. &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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            <title>Colhendas</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Thu, 10 Apr 2008 19:36:18 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;Vastas e empoeiradas&lt;br /&gt;Estrelas!&lt;br /&gt;Brilhos desprendidos&lt;br /&gt;Maquiavélicos de paixão.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ébrios, felinos cantam&lt;br /&gt;Como bardos enlevados&lt;br /&gt;Poetas, pois não?&lt;br /&gt;Eis o afresco do belo...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Muito vem da noite,&lt;br /&gt;Não só orvalhos&lt;br /&gt;E garoas&lt;br /&gt;Mas as lágrimas!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estas que correm&lt;br /&gt;Como riachos, cachoeiras&lt;br /&gt;De esferas multicoloridas,&lt;br /&gt;Regam meus sentidos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim, surge dos montes&lt;br /&gt;Hélio altivo e sereno&lt;br /&gt;Áureo e delicado&lt;br /&gt;A iluminar a sinfonia&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Acabou-se o que emocionou-se&lt;br /&gt;Quem sentiu, contentou-se.&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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            <title>Sem Mais</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Thu, 10 Apr 2008 19:32:55 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;Joguemos fora&lt;br /&gt;Estes ódios&lt;br /&gt;Agregados a nós.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Despreguemos os quadros&lt;br /&gt;Da parede branca,&lt;br /&gt;Mantenhamaos a lividez,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A cálida brancura&lt;br /&gt;Estatelada por passados&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Unamos ladrilhos&lt;br /&gt;Para compormos caminhos&lt;br /&gt;E fugirmos!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vamosnos fazer desapercebidos&lt;br /&gt;E nos darmos as mãos&lt;br /&gt;Unidos, munidos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De coragem e cegueira&lt;br /&gt;Sãos.&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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        <item>
            <title>Parte triste, parte louca</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Wed, 02 Apr 2008 19:26:36 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;Estou tão infeliz, meu deus!&lt;br /&gt;Tão infeliz que poderia&lt;br /&gt;Chorar por todo o sempre&lt;br /&gt;Sem sequer poder respirar&lt;br /&gt;Aí, meu deus, iría me matar!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sinto-me tão descontente,&lt;br /&gt;Vejo-me tão decadente&lt;br /&gt;Até quando vai, meu deus,&lt;br /&gt;Isso durar?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tem alguém aí de cima?&lt;br /&gt;Há alguém sorrindo em som?&lt;br /&gt;Quem é que mandou-me esta ordem?&lt;br /&gt;De denegrir-me viciosamente&lt;br /&gt;Incansável e eloqüente...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que é que se passa?&lt;br /&gt;Por que é que não me avisaram?&lt;br /&gt;Assim eu poderia me recolher&lt;br /&gt;E pedir perdão pelos sorrisos,&lt;br /&gt;Pelos risos, por ter sido feliz!&lt;br /&gt;Dessem-me ao menos uma chance&lt;br /&gt;De reconhecer outra vez ser só&lt;br /&gt;Deixassem-me provar as lágrimas&lt;br /&gt;E de novo, sentir os músculos&lt;br /&gt;Contraírem, umidecerem, caírem...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi injusto terem me dado&lt;br /&gt;Esse golpe tão certeiro&lt;br /&gt;Depois de muito soluçar,&lt;br /&gt;Restou-me um pedaço de lençol&lt;br /&gt;Onde enrolei-me&lt;br /&gt;Ali, lugar que não quis deixar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Brotei-me junto do colchão&lt;br /&gt;Senão mais duro que o próprio chão&lt;br /&gt;Frio como a relva da manhã&lt;br /&gt;Silente como as sirenes&lt;br /&gt;Dá, meu deus, uma chance de&lt;br /&gt;Saber como me redimir...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Perdão pelas minhas zombarias,&lt;br /&gt;Pelos meus pulos de alegria,&lt;br /&gt;Pelas festas, pelas canções,&lt;br /&gt;Perdoa-me por ter tido coragem,&lt;br /&gt;Desculpa-me por ter tido vontade&lt;br /&gt;Redima-me por ter tido vantagem&lt;br /&gt;Justifica-me por ter sido feliz!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E é tudo tão maluco quando a gente&lt;br /&gt;Perde o chão de flores e sementes&lt;br /&gt;P&amp;#39;ra pisar no calcário chão de pedra&lt;br /&gt;Pontiagudo, reluzente, vasto...&lt;br /&gt;Ah, amplas pradarias de solidão&lt;br /&gt;Oh, brilhante lua de verão...&lt;br /&gt;Por que é que não me inspira?&lt;br /&gt;Por que é que faz-me sofrer em vão?... &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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        </item> 
 
        <item>
            <title>Aquoário</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Sun, 23 Mar 2008 03:15:34 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;Nisso, eu parei e pensei:&lt;br /&gt;Qu&amp;#39;é que vamos ter hoje?&lt;br /&gt;Nada, nem adianta adiantar&lt;br /&gt;Tentar criar na cabeça&lt;br /&gt;Uma previsão do imprevisível&lt;br /&gt;Do instável mais que visível&lt;br /&gt;Hoje o dia há de se acabar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E se acaba belo entre gotas&lt;br /&gt;A chuva que lava a luz e&lt;br /&gt;Traz as trevas, a lua e estrelas&lt;br /&gt;Manda embora a lividez etérea&lt;br /&gt;E traz de volta o manto negro&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas vem de volta o dia&lt;br /&gt;E ilumina, num rasgo de cetim&lt;br /&gt;Aquele tão profundo abismo inverso&lt;br /&gt;Onde piscam mil olhos distantes&lt;br /&gt;Rasga e ilumina nossas casas&lt;br /&gt;Adentra nossas janelas e nos assombram&lt;br /&gt;Em uis e ais, clamamos a superstição&lt;br /&gt;Temos medo e nos afetamos&lt;br /&gt;Mas, em realidade, estamos bem&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é que as gotas se colem&lt;br /&gt;Às vidraças da janela a toa:&lt;br /&gt;Juntam-se elas, unem-se uma a uma&lt;br /&gt;E escorrem, completas, cachoeira&lt;br /&gt;Escorregam casadas, unem-se a outras&lt;br /&gt;Amam-se umas as outras e se entregam&lt;br /&gt;Ao término, à madeira da divisa&lt;br /&gt;E voltam a ser resto de água&lt;br /&gt;Viram poça, viram nada&lt;br /&gt;Evaporam e são nuvens!&lt;br /&gt;Oh, tão belo trajeto desta vida...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas não é? Se pudéssemos então&lt;br /&gt;Escolher o que fazer para hoje&lt;br /&gt;Eu escolheria ser chuva, ser água&lt;br /&gt;Queria deixar de sobrevoar as miudezas&lt;br /&gt;E unir-me a elas, líquida ou sólida&lt;br /&gt;Sendo neve ou garoa, tempestade&lt;br /&gt;Vou lá, chego lá, junto-me ali, acolá&lt;br /&gt;E me reluzo nos raios do sol&lt;br /&gt;Esquento-me nessa quentura amarela&lt;br /&gt;De repente, vejo-me tão bela&lt;br /&gt;Desfazer-me invisível, desintegrar-me&lt;br /&gt;Perdendo-me em sentidos até finalmente&lt;br /&gt;Voltar! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Voltara, voltara às nuvens&lt;br /&gt;Às etéreas componentes refratárias&lt;br /&gt;Onde o sol faz seus afrescos fugazes&lt;br /&gt;Nos crepúsculos mais belos e úmidos&lt;br /&gt;Porque a Terra gira e traz de volta&lt;br /&gt;A noite, o tão belo manto purpurino&lt;br /&gt;Traz de novo e vai embora, eis o ciclo &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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        <item>
            <title>Diante dela</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Wed, 19 Mar 2008 22:58:19 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;Tão estranha e próxima,&lt;br /&gt;Tão sublime e assombrosa,&lt;br /&gt;Eis que me surge o medo&lt;br /&gt;De engolirem-me as trevas&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ora tão bela e mística,&lt;br /&gt;Agora tão crua e verídica&lt;br /&gt;Eis que vem-me com dor&lt;br /&gt;Num misto de espanto e horror&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eis que as coisas mais lindas&lt;br /&gt;Findam num caminho, só&lt;br /&gt;Sozinhas partem-se a fio,&lt;br /&gt;Solitárias compartilham o pó&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A poeira que resta dos anos&lt;br /&gt;Da vasta trilha entretida&lt;br /&gt;Num sádico rítmo de cair&lt;br /&gt;E levantar e logo tudo acabar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Do meu interim ressoou hoje&lt;br /&gt;Uma exclamação confusa, duvidosa&lt;br /&gt;Eu, que queria tanto encontrar,&lt;br /&gt;Perdi-me na pergunta sem resposta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu, que me calo e consinto&lt;br /&gt;Na ignorância de ser o que sou&lt;br /&gt;Na impertinência de respirar,&lt;br /&gt;Na insignificância de existir&lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; [e se expurgar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu, que nas mais gélidas noites&lt;br /&gt;Persegui-me por entre os sonhos&lt;br /&gt;Buscando-me resgatar, por mim só&lt;br /&gt;Eis que me prendo, sim, em um nó&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O elo das incertezas, fraquezas&lt;br /&gt;A corrente que prende as dúvidas&lt;br /&gt;Os cheiros e cores que não se sentem&lt;br /&gt;Mais vão ficar que se deixar levar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Partem de ti todas as palavras&lt;br /&gt;Dignas de serem lembranças recordadas&lt;br /&gt;Vêm de ti um resto de chama&lt;br /&gt;Para que a vida, realmente, mereça&lt;br /&gt;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160;&amp;#160; [aquele que a ama.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Que é na morte que todo passageiro&lt;br /&gt;Deixa de viajar por puro prazer&lt;br /&gt;Sente as dores dos infortúnios,&lt;br /&gt;A escuridão dos que não enxergam,&lt;br /&gt;A loucura dos que não consentem,&lt;br /&gt;O desespero dos que não refletem,&lt;br /&gt;A angústia dos que não recebem,&lt;br /&gt;A vingança dos que perdem,&lt;br /&gt;A desilusão dos que morrer, não querem. &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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            <title>amante perfeito</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Mon, 17 Mar 2008 22:36:51 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;está escondido por entre teus cabelos&lt;br /&gt;a sutileza, o sublime que te falta &lt;br /&gt;na estranheza que te fazem, injusta&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se tu estivesses sozinha&lt;br /&gt;apostaria eu que fora propósito&lt;br /&gt;teu perder-te num nada de repente&lt;br /&gt;porque é da tua natureza perder&lt;br /&gt;a cabeça num momento de certeza&lt;br /&gt;em que pede-se razão e consciência&lt;br /&gt;é teu, é parte tua ser assim...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;tantas vezes fizeste-me louco&lt;br /&gt;e eu pedi aos deuses que poupassem-te&lt;br /&gt;de qualquer infortúnio, que afastassem-te&lt;br /&gt;das trevas, das quimeras, de Medusa&lt;br /&gt;que teus olhos curiosos não a encarassem&lt;br /&gt;mas tu nunca deixaras de arriscar a ti&lt;br /&gt;pois tu nunca tiveste um só juízo&lt;br /&gt;e é tua imoralidade que me faz feliz&lt;/p&gt;&lt;p&gt;é nesses gritos ensurdecedores sem motivo&lt;br /&gt;nesses passos tortos e desapercebidos&lt;br /&gt;que moram detalhes de todo meu amor&lt;br /&gt;por ti, por teu jeito, por tua maluquez&lt;br /&gt;é em ti que mora meu alter ego, pois sou&lt;br /&gt;o inverso da tua anti-lucidez, sou cru,&lt;br /&gt;tosco, rústico, antiquado, mal-acabado&lt;br /&gt;e tu, tão leve e ligeira, ninfa és tu!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;ah, deleite meu passar horas na tua imagem&lt;br /&gt;pela minha cabeça detalhar-te e enfeitar-te&lt;br /&gt;com áureas folhas e gotas cristalinas&lt;br /&gt;fazer-te afresco dos deuses, delícia de Baco&lt;br /&gt;transformar-te serena, tão incerta criatura&lt;br /&gt;mas tão bela na confusão de um só ser&lt;br /&gt;é a beleza do intransitivo que pede advérbio&lt;br /&gt;de tempo, espaço, modo, toda palavra do mundo&lt;br /&gt;que diga a ti de outra forma a frase &amp;quot;te amo&amp;quot;&lt;br /&gt;porque esta, já te cansara de me ouvir&lt;/p&gt;&lt;p&gt;oh, mas amo-te sim, minha mais nobre ninfa&lt;br /&gt;pois tuas pernas te fazem caminhar tão sutil&lt;br /&gt;pelos campos, faz gramíneas tão macias e úmidas&lt;br /&gt;pois teu choro é o orvalho de toda noite,&lt;br /&gt;teus olhos são estrelas e tu és a própria Lua&lt;br /&gt;és inspiração das realezas, do absurdo&lt;br /&gt;tua morada é atrás das altas montanhas nevadas&lt;br /&gt;pois conserva-te fria uma quentura que acalenta&lt;br /&gt;este ser que tão depressa por ti se derretera&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Lua forte e amena, doce poesia de Atena&lt;br /&gt;és guerreira em que minha ode venho a cantar&lt;br /&gt;mas por ti enfrentaria Hades p&amp;#39;ra do inferno&lt;br /&gt;poder para mim te trazer e sempre para ficar... &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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            <title>Dias</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Mon, 17 Mar 2008 21:55:00 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;Nesses dias estranhos,&lt;br /&gt;Eu não acordo com você no celular&lt;br /&gt;Eu não vou à escola de manhã,&lt;br /&gt;Nem sento no fundo, ao seu lado&lt;br /&gt;Nesses dias estranhos,&lt;br /&gt;Você e eu somos também estranhos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesses dias urgentes,&lt;br /&gt;Eu não acordo por mim mesma,&lt;br /&gt;Nem vejo o céu, nem o fim da tarde&lt;br /&gt;Não vejo o mar, nem vejo rios&lt;br /&gt;Não sinto fome, só sinto frio&lt;br /&gt;Nesses dias urgentes,&lt;br /&gt;Você e eu estamos tão distantes&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesses dias loucos,&lt;br /&gt;Eu sou uma marionete do tempo,&lt;br /&gt;As trilhas dos meus passos somem&lt;br /&gt;E se misturam a mil pegadas&lt;br /&gt;Não faço diferença nessa selva&lt;br /&gt;Nem faria, se desaparecesse&lt;br /&gt;Nesses dias loucos,&lt;br /&gt;Você e eu nos dispersamos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesses dias chuvosos,&lt;br /&gt;Eu sou mais um vulto na cidade,&lt;br /&gt;Não espero nada de ninguém&lt;br /&gt;Nem sinto que eu o vou ver&lt;br /&gt;Porque não faz sentido sentir&lt;br /&gt;Não faz idéia do quanto falta&lt;br /&gt;Nesses dias chuvosos,&lt;br /&gt;Você e eu estamos a nos procurar&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É nesses dias em que nos afastamos&lt;br /&gt;Que o tempo corre lento e imaculado&lt;br /&gt;Nada foge dos seus eixos, nada passa&lt;br /&gt;Só se empurra e releva e se entrega&lt;br /&gt;Não adianta o choro nem a vela&lt;br /&gt;Não são as preces, são os fatos&lt;br /&gt;Esperar nada mais é que um fado&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas espera, como todo dia vem a lua&lt;br /&gt;Tudo há de passar, de se deixar passar&lt;br /&gt;E nós estaremos novamente juntos&lt;br /&gt;E nossos dedos procurarão uns aos outros&lt;br /&gt;E atordoados, eles colidirão e procurarão espaços&lt;br /&gt;Onde, em enlaços, juntarão, apertarão&lt;br /&gt;Concretizarão nossa ída e vinda novamente&lt;br /&gt;Vamos fingir que nada vai começar de novo...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É nesse espiral desatento que o destino finge ser&lt;br /&gt;Que nossas almas se unem e se separam&lt;br /&gt;Como um destacar de pele sobre ferida&lt;br /&gt;E sangra, sangra pouco, mas ainda mancha em rubro&lt;br /&gt;Que é p&amp;#39;ra marcar que existe, &lt;br /&gt;Mas que logo irá se deixar levar &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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            <title>Descartado</title>
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            <author>nobody@vox.com(Lidia)</author>
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            <pubDate>Wed, 12 Mar 2008 16:50:35 -0200</pubDate>         
            
            <description>    &lt;p&gt;Eu não sinto as palavras chegarem à boca&lt;br /&gt;Eu não sinto o deleite, o enfeite que&lt;br /&gt;Outro dia se desfazia em gramas tão soltas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De repente, tudo se entorta como espiral&lt;br /&gt;E o passado se confunde com o presente&lt;br /&gt;É uma escadaria, cada degrau, meu mau&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É uma avalanche de sentimentos frustrados&lt;br /&gt;De olhares atravessados, desaprovados, espertos&lt;br /&gt;Uma avalanche de gelo que derrete em choro&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ah, enferrujam as belas estátuas metálicas&lt;br /&gt;O férreo dilema do ego se faz líquido&lt;br /&gt;Oh, como aqueles dias podiam voltar!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Poeta em mim que dilacera, hoje morre&lt;br /&gt;Move, delibera, liberta um eu que já havia&lt;br /&gt;Deixado de ser parte do meu ser, de haver&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu não dou a mínima para mais nada,&lt;br /&gt;Machucar é relativo às palavras que soam&lt;br /&gt;Mas elas soam sem sentido, tão ásperas...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não, eu pensava que as geografias difericem&lt;br /&gt;Que a maciez se encontrasse entre formigas&lt;br /&gt;Mas elas são tantas que pisoteiam-se num cubo&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É, ainda que eu tenha me confeccionado&lt;br /&gt;Uma coroa de espinhos de sentimentos atentos&lt;br /&gt;Eles são meros, singelos e mornos&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um aborto à toda essa minha desvariedade&lt;br /&gt;Do desvario dos meus olhos fundiram-se rios&lt;br /&gt;Cada gota uma palavra, cada palavra um lamento&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu lamento, desculpo-me e remendo&lt;br /&gt;Mas não há como remendar o que já se furou mais&lt;br /&gt;E mais e mais, eu atento, renova jamais... &lt;/p&gt;    &lt;p style=&quot;clear:both;&quot;&gt; 
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&lt;/p&gt;
 
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