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    <updated>2008-05-20T18:06:45Z</updated> 
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        <name>Lidia</name>
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        <title>Minh&#39;alma é doce</title>   
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        <published>2008-05-20T18:06:45Z</published>
        <updated>2008-05-20T18:06:45Z</updated>
    
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            <name>Lidia</name>
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        <h3 class="post-title entry-title">
<a href="http://aethere.blogspot.com/2008/05/minhalma-doce.html">Minh&#39;alma é doce</a>
</h3>


<p>Ontem quando me deitei para dormir, quis sonhar. Cheguei a pedir ao
nada, porque nada poderia me responder ou sequer atender. Fechei os
olhos, pisquei-os mais umas três vezes, até eles finalmente travarem no
vazio da escuridão. Um palmo não pude ver frente aos meus olhos. Mesmo
que a minha fobia ao escuro desse-me nauseas e desassosego, quis
experimentar essa falta de matéria que ele me dá.</p><p>Escuro, tão
profundo, tão vazio e tão cheio. Meu quarto é abarrotado de coisas,
papéis, diários, fichários, lápis e pincéis... Não me atreveria a dar
passos fora da cama, saberia que poderia pisar em algum grampo caído no
chão. E doeria. Minha cama tão quente, tão aconchegante, tão
emocionantes cochilos outrora tive aqui!</p><p>Um murmúrio do vento
passou pelas frestas da janela de madeira, fantasmagórico como costuma
ser. E o vazio do escuro o engoliu, abafando-o entre os casacos
próximos à cortina como um quasar. Um zumbido ou outro também foi
engolido. E eu agradeci aos céus noturnos por isso, meu medo de insetos
é exagerado, enlouquecido e desavergonhado. O bater de pequenas asinhas
logo se esvaiu por algum canto do cômodo e eu me acalmei mais.</p><p>Voltei
ao meu desejo, ao meu mais entorpecido de sonhar. Revirei-me outra vez
na cama e mil vozes surgiram por de trás dos meus tímpanos. Lembrei-me
da voz da minha professora, dos meus amigos, parentes, do mais
longínquo dia infantil em que ganhei uma boneca de pano. Todas aquelas
vozes, frases prontas que surgiam espontâneas, atropeladas e
impacientes. Mil voes e estalidos como estrelas e fogos de artíficio
atormentavam minha mente cansada.</p><p>Pesei o travesseiro sobre a
cabeça, demarcando-me contra o colchão. Meus olhos apertados, agarrados
órbitas e pestanas, sinestesiando as estrelinhas sonoras. Mil fagulhas
me surgiam no escuro dos meus olhos fechados. Quais festas, maravilhas,
reveillons, de noite ou de dia fariam tanto estardalhaço no sono? Só eu
e minha apnéia... Só eu e minhas fantasias... Elas me chamaram para
voar junto delas. Pude ouvir. Pude mesmo e juro, que das minhas
entranhas surgiram notas estranhas ao do-ré-mi.</p><p>Canônica ode,
fantasmagórico réquiem... Fantasia minha trouxe-me pelos dedos até esse
jardim de pólens reluzentes. Umas pequenas criaturas esvoaçantes,
brilhantes, estrelinhas aladas e multicoloridas contornavam-me
sorridentes e amedrotadas. Monstro extraterrestre eu fui, sem antenas e
pele clorofilada. Ela me disse: &quot;Venha e voe comigo, esta noite&quot;* e por
que não aceitá-la? Deu-me asas tão lívidas e cintilantes, frágeis como
papel, leves como plumas. Fez-me serafim de rascunhos infantis, fez-me
felicidade de querubins.</p><p>Por uma noite, quatro ou cinco horas
mal dormidas, dez ou vinte minutos aéreos me bastaram para ousar pisar
no chão gélido e percorrer até a cozinha, coar o café.</p><p>* My Brightest Diamond - Dragonfly</p>    <p style="clear:both;"> 
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        <title>Quinta-feira, 10 de abril de 2008</title>   
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        <published>2008-04-12T04:52:56Z</published>
        <updated>2008-05-11T21:54:17Z</updated>
    
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            <name>Lidia</name>
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                <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:at="http://www.sixapart.com/ns/at">
        <p>Hoje quando eu estava voltando da faculdade, estava morrendo de cólica.
Foi uma dor tão forte que chegou a ser alucinógena. Sim, eu estava
caminhando com passos curtos e não muito distantes do chão, para não
contrair mais o meu útero e doer. A Avenida Paulista está em obras
desde que cheguei aqui em São Paulo... Tenho que desviar e prolongar
meu caminho com mais alguns pequenos metros. Nesses espaços apertados,
sempre vejo pessoas indo e vindo sem parar, todas distraídas ou
perdidas em seus próprios afazeres. Raramente alguém presta atenção no
que você diz ou faz, mesmo que você berre, mesmo que diga algo horrível.<br />
Hoje, como queria desviar minha mente para fingir que os 20 minutos de
caminhada iriam ser mais rápidos, comecei a divagar. Bem, na verdade,
só consegui fazer isso lá pelo final da caminhada, após rir comigo
mesma de um anunciante de Lan House com um papel de &#39;Free Hugs&#39; na mão.
Foi descendo as alamedas, já perto do pensionato, que uma música surgiu
nos meus ouvidos, sem nem eu estar portando fones ou um mp3 player.<br />
Eu olhava para pessoas, com sinestesia, com apuração das cores. Elas
estavam mais vívidas, o stress se tornou graça e toda aquela gente
subindo e descendo fazia parte de um musical. O homem da pasta com cara
irritada tinha pressa, porque o chefe era neurótico e ele, paranóico e
perfeccionista. A mulher gordinha e baixinha era escandalosa e
piadista. O negro de roupas largas era um líder do gueto. Todo mundo
ganhou um compasso, todo mundo ganhou uma música e um rítmo, um papel
na peça, uma peça no quebra-cabeças.</p><p>    Eu costumo perder meu tempo humanizando pedras e perder humanos recolhendo pedras. </p>   <p style="clear:both;"> 
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        <title>Colhendas</title>   
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        <published>2008-04-10T21:36:18Z</published>
        <updated>2008-04-13T01:42:59Z</updated>
    
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            <name>Lidia</name>
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                <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:at="http://www.sixapart.com/ns/at">
        <p>Vastas e empoeiradas<br />Estrelas!<br />Brilhos desprendidos<br />Maquiavélicos de paixão.</p><p>Ébrios, felinos cantam<br />Como bardos enlevados<br />Poetas, pois não?<br />Eis o afresco do belo...</p><p>Muito vem da noite,<br />Não só orvalhos<br />E garoas<br />Mas as lágrimas!</p><p>Estas que correm<br />Como riachos, cachoeiras<br />De esferas multicoloridas,<br />Regam meus sentidos.</p><p>Enfim, surge dos montes<br />Hélio altivo e sereno<br />Áureo e delicado<br />A iluminar a sinfonia</p><p>Acabou-se o que emocionou-se<br />Quem sentiu, contentou-se.<br /> </p>   <p style="clear:both;"> 
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        <title>Sem Mais</title>   
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        <published>2008-04-10T21:32:55Z</published>
        <updated>2008-04-10T21:32:55Z</updated>
    
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            <name>Lidia</name>
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                <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:at="http://www.sixapart.com/ns/at">
        <p>Joguemos fora<br />Estes ódios<br />Agregados a nós.</p><p>Despreguemos os quadros<br />Da parede branca,<br />Mantenhamaos a lividez,</p><p>A cálida brancura<br />Estatelada por passados</p><p>Unamos ladrilhos<br />Para compormos caminhos<br />E fugirmos!</p><p>Vamosnos fazer desapercebidos<br />E nos darmos as mãos<br />Unidos, munidos</p><p>De coragem e cegueira<br />Sãos.<br /> </p>   <p style="clear:both;"> 
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</p>

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        <title>Parte triste, parte louca</title>   
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        <published>2008-04-02T21:26:36Z</published>
        <updated>2008-04-02T21:26:36Z</updated>
    
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            <name>Lidia</name>
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                <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:at="http://www.sixapart.com/ns/at">
        <p>Estou tão infeliz, meu deus!<br />Tão infeliz que poderia<br />Chorar por todo o sempre<br />Sem sequer poder respirar<br />Aí, meu deus, iría me matar!</p><p>Sinto-me tão descontente,<br />Vejo-me tão decadente<br />Até quando vai, meu deus,<br />Isso durar?</p><p>Tem alguém aí de cima?<br />Há alguém sorrindo em som?<br />Quem é que mandou-me esta ordem?<br />De denegrir-me viciosamente<br />Incansável e eloqüente...</p><p>O que é que se passa?<br />Por que é que não me avisaram?<br />Assim eu poderia me recolher<br />E pedir perdão pelos sorrisos,<br />Pelos risos, por ter sido feliz!<br />Dessem-me ao menos uma chance<br />De reconhecer outra vez ser só<br />Deixassem-me provar as lágrimas<br />E de novo, sentir os músculos<br />Contraírem, umidecerem, caírem...</p><p>Foi injusto terem me dado<br />Esse golpe tão certeiro<br />Depois de muito soluçar,<br />Restou-me um pedaço de lençol<br />Onde enrolei-me<br />Ali, lugar que não quis deixar</p><p>Brotei-me junto do colchão<br />Senão mais duro que o próprio chão<br />Frio como a relva da manhã<br />Silente como as sirenes<br />Dá, meu deus, uma chance de<br />Saber como me redimir...</p><p>Perdão pelas minhas zombarias,<br />Pelos meus pulos de alegria,<br />Pelas festas, pelas canções,<br />Perdoa-me por ter tido coragem,<br />Desculpa-me por ter tido vontade<br />Redima-me por ter tido vantagem<br />Justifica-me por ter sido feliz!</p><p>E é tudo tão maluco quando a gente<br />Perde o chão de flores e sementes<br />P&#39;ra pisar no calcário chão de pedra<br />Pontiagudo, reluzente, vasto...<br />Ah, amplas pradarias de solidão<br />Oh, brilhante lua de verão...<br />Por que é que não me inspira?<br />Por que é que faz-me sofrer em vão?... </p>   <p style="clear:both;"> 
    <a href="http://buranko.vox.com/library/post/parte-triste-parte-louca.html?_c=feed-atom-full#comments">Read and post comments</a>   |   
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</p>

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        <title>Aquoário</title>   
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        <published>2008-03-23T05:15:34Z</published>
        <updated>2008-03-23T05:15:34Z</updated>
    
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            <name>Lidia</name>
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        <p>Nisso, eu parei e pensei:<br />Qu&#39;é que vamos ter hoje?<br />Nada, nem adianta adiantar<br />Tentar criar na cabeça<br />Uma previsão do imprevisível<br />Do instável mais que visível<br />Hoje o dia há de se acabar</p><p>E se acaba belo entre gotas<br />A chuva que lava a luz e<br />Traz as trevas, a lua e estrelas<br />Manda embora a lividez etérea<br />E traz de volta o manto negro</p><p>Mas vem de volta o dia<br />E ilumina, num rasgo de cetim<br />Aquele tão profundo abismo inverso<br />Onde piscam mil olhos distantes<br />Rasga e ilumina nossas casas<br />Adentra nossas janelas e nos assombram<br />Em uis e ais, clamamos a superstição<br />Temos medo e nos afetamos<br />Mas, em realidade, estamos bem</p><p>Não é que as gotas se colem<br />Às vidraças da janela a toa:<br />Juntam-se elas, unem-se uma a uma<br />E escorrem, completas, cachoeira<br />Escorregam casadas, unem-se a outras<br />Amam-se umas as outras e se entregam<br />Ao término, à madeira da divisa<br />E voltam a ser resto de água<br />Viram poça, viram nada<br />Evaporam e são nuvens!<br />Oh, tão belo trajeto desta vida...</p><p>Mas não é? Se pudéssemos então<br />Escolher o que fazer para hoje<br />Eu escolheria ser chuva, ser água<br />Queria deixar de sobrevoar as miudezas<br />E unir-me a elas, líquida ou sólida<br />Sendo neve ou garoa, tempestade<br />Vou lá, chego lá, junto-me ali, acolá<br />E me reluzo nos raios do sol<br />Esquento-me nessa quentura amarela<br />De repente, vejo-me tão bela<br />Desfazer-me invisível, desintegrar-me<br />Perdendo-me em sentidos até finalmente<br />Voltar! </p><p>Voltara, voltara às nuvens<br />Às etéreas componentes refratárias<br />Onde o sol faz seus afrescos fugazes<br />Nos crepúsculos mais belos e úmidos<br />Porque a Terra gira e traz de volta<br />A noite, o tão belo manto purpurino<br />Traz de novo e vai embora, eis o ciclo </p>   <p style="clear:both;"> 
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        <title>Diante dela</title>   
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        <published>2008-03-20T00:58:19Z</published>
        <updated>2008-03-20T00:58:19Z</updated>
    
        <author>
            <name>Lidia</name>
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                <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:at="http://www.sixapart.com/ns/at">
        <p>Tão estranha e próxima,<br />Tão sublime e assombrosa,<br />Eis que me surge o medo<br />De engolirem-me as trevas</p><p>Ora tão bela e mística,<br />Agora tão crua e verídica<br />Eis que vem-me com dor<br />Num misto de espanto e horror</p><p>Eis que as coisas mais lindas<br />Findam num caminho, só<br />Sozinhas partem-se a fio,<br />Solitárias compartilham o pó</p><p>A poeira que resta dos anos<br />Da vasta trilha entretida<br />Num sádico rítmo de cair<br />E levantar e logo tudo acabar</p><p>Do meu interim ressoou hoje<br />Uma exclamação confusa, duvidosa<br />Eu, que queria tanto encontrar,<br />Perdi-me na pergunta sem resposta</p><p>Eu, que me calo e consinto<br />Na ignorância de ser o que sou<br />Na impertinência de respirar,<br />Na insignificância de existir<br />&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; [e se expurgar.</p><p>Eu, que nas mais gélidas noites<br />Persegui-me por entre os sonhos<br />Buscando-me resgatar, por mim só<br />Eis que me prendo, sim, em um nó</p><p>O elo das incertezas, fraquezas<br />A corrente que prende as dúvidas<br />Os cheiros e cores que não se sentem<br />Mais vão ficar que se deixar levar</p><p>Partem de ti todas as palavras<br />Dignas de serem lembranças recordadas<br />Vêm de ti um resto de chama<br />Para que a vida, realmente, mereça<br />&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; [aquele que a ama.</p><p>Que é na morte que todo passageiro<br />Deixa de viajar por puro prazer<br />Sente as dores dos infortúnios,<br />A escuridão dos que não enxergam,<br />A loucura dos que não consentem,<br />O desespero dos que não refletem,<br />A angústia dos que não recebem,<br />A vingança dos que perdem,<br />A desilusão dos que morrer, não querem. </p>   <p style="clear:both;"> 
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        <title>amante perfeito</title>   
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        <published>2008-03-18T00:36:51Z</published>
        <updated>2008-03-18T00:36:51Z</updated>
    
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            <name>Lidia</name>
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            <![CDATA[
                <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:at="http://www.sixapart.com/ns/at">
        <p>está escondido por entre teus cabelos<br />a sutileza, o sublime que te falta <br />na estranheza que te fazem, injusta</p><p>se tu estivesses sozinha<br />apostaria eu que fora propósito<br />teu perder-te num nada de repente<br />porque é da tua natureza perder<br />a cabeça num momento de certeza<br />em que pede-se razão e consciência<br />é teu, é parte tua ser assim...</p><p>tantas vezes fizeste-me louco<br />e eu pedi aos deuses que poupassem-te<br />de qualquer infortúnio, que afastassem-te<br />das trevas, das quimeras, de Medusa<br />que teus olhos curiosos não a encarassem<br />mas tu nunca deixaras de arriscar a ti<br />pois tu nunca tiveste um só juízo<br />e é tua imoralidade que me faz feliz</p><p>é nesses gritos ensurdecedores sem motivo<br />nesses passos tortos e desapercebidos<br />que moram detalhes de todo meu amor<br />por ti, por teu jeito, por tua maluquez<br />é em ti que mora meu alter ego, pois sou<br />o inverso da tua anti-lucidez, sou cru,<br />tosco, rústico, antiquado, mal-acabado<br />e tu, tão leve e ligeira, ninfa és tu!</p><p>ah, deleite meu passar horas na tua imagem<br />pela minha cabeça detalhar-te e enfeitar-te<br />com áureas folhas e gotas cristalinas<br />fazer-te afresco dos deuses, delícia de Baco<br />transformar-te serena, tão incerta criatura<br />mas tão bela na confusão de um só ser<br />é a beleza do intransitivo que pede advérbio<br />de tempo, espaço, modo, toda palavra do mundo<br />que diga a ti de outra forma a frase &quot;te amo&quot;<br />porque esta, já te cansara de me ouvir</p><p>oh, mas amo-te sim, minha mais nobre ninfa<br />pois tuas pernas te fazem caminhar tão sutil<br />pelos campos, faz gramíneas tão macias e úmidas<br />pois teu choro é o orvalho de toda noite,<br />teus olhos são estrelas e tu és a própria Lua<br />és inspiração das realezas, do absurdo<br />tua morada é atrás das altas montanhas nevadas<br />pois conserva-te fria uma quentura que acalenta<br />este ser que tão depressa por ti se derretera</p><p>Lua forte e amena, doce poesia de Atena<br />és guerreira em que minha ode venho a cantar<br />mas por ti enfrentaria Hades p&#39;ra do inferno<br />poder para mim te trazer e sempre para ficar... </p>   <p style="clear:both;"> 
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        <title>Dias</title>   
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        <published>2008-03-17T23:55:00Z</published>
        <updated>2008-03-17T23:55:00Z</updated>
    
        <author>
            <name>Lidia</name>
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                <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:at="http://www.sixapart.com/ns/at">
        <p>Nesses dias estranhos,<br />Eu não acordo com você no celular<br />Eu não vou à escola de manhã,<br />Nem sento no fundo, ao seu lado<br />Nesses dias estranhos,<br />Você e eu somos também estranhos</p><p>Nesses dias urgentes,<br />Eu não acordo por mim mesma,<br />Nem vejo o céu, nem o fim da tarde<br />Não vejo o mar, nem vejo rios<br />Não sinto fome, só sinto frio<br />Nesses dias urgentes,<br />Você e eu estamos tão distantes</p><p>Nesses dias loucos,<br />Eu sou uma marionete do tempo,<br />As trilhas dos meus passos somem<br />E se misturam a mil pegadas<br />Não faço diferença nessa selva<br />Nem faria, se desaparecesse<br />Nesses dias loucos,<br />Você e eu nos dispersamos</p><p>Nesses dias chuvosos,<br />Eu sou mais um vulto na cidade,<br />Não espero nada de ninguém<br />Nem sinto que eu o vou ver<br />Porque não faz sentido sentir<br />Não faz idéia do quanto falta<br />Nesses dias chuvosos,<br />Você e eu estamos a nos procurar</p><p>É nesses dias em que nos afastamos<br />Que o tempo corre lento e imaculado<br />Nada foge dos seus eixos, nada passa<br />Só se empurra e releva e se entrega<br />Não adianta o choro nem a vela<br />Não são as preces, são os fatos<br />Esperar nada mais é que um fado</p><p>Mas espera, como todo dia vem a lua<br />Tudo há de passar, de se deixar passar<br />E nós estaremos novamente juntos<br />E nossos dedos procurarão uns aos outros<br />E atordoados, eles colidirão e procurarão espaços<br />Onde, em enlaços, juntarão, apertarão<br />Concretizarão nossa ída e vinda novamente<br />Vamos fingir que nada vai começar de novo...</p><p>É nesse espiral desatento que o destino finge ser<br />Que nossas almas se unem e se separam<br />Como um destacar de pele sobre ferida<br />E sangra, sangra pouco, mas ainda mancha em rubro<br />Que é p&#39;ra marcar que existe, <br />Mas que logo irá se deixar levar </p>   <p style="clear:both;"> 
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        <title>Descartado</title>   
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        <published>2008-03-12T18:50:35Z</published>
        <updated>2008-03-12T18:50:35Z</updated>
    
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            <name>Lidia</name>
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            <![CDATA[
                <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml" xmlns:at="http://www.sixapart.com/ns/at">
        <p>Eu não sinto as palavras chegarem à boca<br />Eu não sinto o deleite, o enfeite que<br />Outro dia se desfazia em gramas tão soltas...</p><p>De repente, tudo se entorta como espiral<br />E o passado se confunde com o presente<br />É uma escadaria, cada degrau, meu mau</p><p>É uma avalanche de sentimentos frustrados<br />De olhares atravessados, desaprovados, espertos<br />Uma avalanche de gelo que derrete em choro</p><p>Ah, enferrujam as belas estátuas metálicas<br />O férreo dilema do ego se faz líquido<br />Oh, como aqueles dias podiam voltar!</p><p>Poeta em mim que dilacera, hoje morre<br />Move, delibera, liberta um eu que já havia<br />Deixado de ser parte do meu ser, de haver</p><p>Eu não dou a mínima para mais nada,<br />Machucar é relativo às palavras que soam<br />Mas elas soam sem sentido, tão ásperas...</p><p>Não, eu pensava que as geografias difericem<br />Que a maciez se encontrasse entre formigas<br />Mas elas são tantas que pisoteiam-se num cubo</p><p>É, ainda que eu tenha me confeccionado<br />Uma coroa de espinhos de sentimentos atentos<br />Eles são meros, singelos e mornos</p><p>Um aborto à toda essa minha desvariedade<br />Do desvario dos meus olhos fundiram-se rios<br />Cada gota uma palavra, cada palavra um lamento</p><p>Eu lamento, desculpo-me e remendo<br />Mas não há como remendar o que já se furou mais<br />E mais e mais, eu atento, renova jamais... </p>   <p style="clear:both;"> 
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