amante perfeito
está escondido por entre teus cabelos
a sutileza, o sublime que te falta
na estranheza que te fazem, injusta
se tu estivesses sozinha
apostaria eu que fora propósito
teu perder-te num nada de repente
porque é da tua natureza perder
a cabeça num momento de certeza
em que pede-se razão e consciência
é teu, é parte tua ser assim...
tantas vezes fizeste-me louco
e eu pedi aos deuses que poupassem-te
de qualquer infortúnio, que afastassem-te
das trevas, das quimeras, de Medusa
que teus olhos curiosos não a encarassem
mas tu nunca deixaras de arriscar a ti
pois tu nunca tiveste um só juízo
e é tua imoralidade que me faz feliz
é nesses gritos ensurdecedores sem motivo
nesses passos tortos e desapercebidos
que moram detalhes de todo meu amor
por ti, por teu jeito, por tua maluquez
é em ti que mora meu alter ego, pois sou
o inverso da tua anti-lucidez, sou cru,
tosco, rústico, antiquado, mal-acabado
e tu, tão leve e ligeira, ninfa és tu!
ah, deleite meu passar horas na tua imagem
pela minha cabeça detalhar-te e enfeitar-te
com áureas folhas e gotas cristalinas
fazer-te afresco dos deuses, delícia de Baco
transformar-te serena, tão incerta criatura
mas tão bela na confusão de um só ser
é a beleza do intransitivo que pede advérbio
de tempo, espaço, modo, toda palavra do mundo
que diga a ti de outra forma a frase "te amo"
porque esta, já te cansara de me ouvir
oh, mas amo-te sim, minha mais nobre ninfa
pois tuas pernas te fazem caminhar tão sutil
pelos campos, faz gramíneas tão macias e úmidas
pois teu choro é o orvalho de toda noite,
teus olhos são estrelas e tu és a própria Lua
és inspiração das realezas, do absurdo
tua morada é atrás das altas montanhas nevadas
pois conserva-te fria uma quentura que acalenta
este ser que tão depressa por ti se derretera
Lua forte e amena, doce poesia de Atena
és guerreira em que minha ode venho a cantar
mas por ti enfrentaria Hades p'ra do inferno
poder para mim te trazer e sempre para ficar...
